- DivulgaçãoO Smart Kegel Ball, esferas eletrônicas de pompoarismo, deveria custar R$ 199, mas está R$ 239
O dólar alto será um dos principais desafios do mercado erótico ao longo de 2015 porque encarece as importações, segundo Paula Aguiar, presidente da Abeme (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual). Itens como vibradores e acessórios tecnológicos devem ser os mais afetados. O preço de alguns produtos já subiu até 20%, de acordo com importadoras ouvidas pelo UOL.
Este cenário força empresas do setor a rever estratégias, como reduzir as compras externas, por exemplo. Por outro lado, o momento pode favorecer a indústria local. "2015 vai ser o ano do produto nacional", afirma.
A empresa Adão & Eva Toys é uma das que estão focando em produtos feitos no Brasil para driblar a alta cotação da moeda americana. Fundada em 2007, a empresa importa e também fabrica brinquedos eróticos, como vibradores, masturbadores e acessórios.
Segundo o diretor Marcello Fabio Hespanhol, a empresa já precisou repassar o aumento de custos dos importados para seus clientes, que são lojistas e distribuidores. Ele cita como exemplo o produto que foi lançado durante a Erótika Fair, feira do mercado erótico realizada em São Paulo, que terminou no último domingo (8).
O Smart Kegel Ball é composto por esferas controladas por um aplicativo de celular para a prática do pompoarismo (contração vaginal) e ajuda a mulher a treinar a musculatura da vagina. As esferas vibram de acordo com as informações enviadas pelo aplicativo, enquanto na tela do celular aparece o passo a passo dos movimentos que a mulher deve fazer.
"De acordo com o planejamento elaborado em outubro de 2014 para este lançamento, o preço de venda deveria ser R$ 199, mas, com a alta do dólar, passou para R$ 239." O aumento foi de 20%.
No entanto, ele diz que produtos de alta tecnologia como esse compensam ser importados porque o custo de produção no Brasil seria muito alto, pois exigiria importação de maquinário e de tecnologia.
Importadora aposta em novidades para se diferenciar
Priorizar os produtos high-tech é a estratégia da importadora Sexy Import, que traz produtos da China e os vende no atacado, para distribuidores e lojistas. Segundo o gerente Danilo Gomes, os produtos já tiveram um aumento de 10% a 15% devido à alta da moeda americana.
"Não vamos deixar de importar por causa disso. Vamos nos diferenciar trazendo novidades, itens mais sofisticados e tecnológicos. Nestes casos, o cliente vai pela qualidade do produto, não tanto pelo preço, e ele entende que as importações estão mais caras", afirma. Ele cita como exemplo vibradores com 30 velocidades de pulsação, controle remoto, hipoalergênicos e à prova d'água.
Em 2015, mercado erótico deve crescer o mesmo que em 2014
O mercado erótico brasileiro cresceu 8,5% em 2014 em comparação com o ano anterior, segundo a Abeme. O número ficou abaixo do esperado pela entidade, que estimava um crescimento de dois dígitos.
A estreia da Copa do Mundo no Dia dos Namorados e 10% menos dias úteis no ano por causa do evento contribuíram para um ritmo de vendas abaixo do esperado, segundo a presidente Paula Aguiar. "O crescimento se deu principalmente no último trimestre de 2014, após a estreia dos trailers do filme '50 Tons de Cinza'", afirma.
Em 2014, foram comercializados 9 milhões de itens eróticos por mês, dos quais 3,5 milhões são cosméticos, segundo a Abeme. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa com 242 empresas associadas.
Para 2015, a associação espera, pelo menos, manter o crescimento de 2014. "Com a economia indo mal, esperamos que as pessoas deixem de gastar em restaurantes e em outros programas e fiquem em casa fazendo amor e consumindo produtos eróticos", diz Aguiar.
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